
Fazia tempos que ela não sentia esse frio na barriga
Tempos que ela vivia como uma morta-viva
Resgatou então na memória uma imagem de quando era criança e voltou a sonhar
Acordada
E no meio da madrugada ela vivia
Descobrindo tudo
Exatamente como fazia antes
Andava anestesiada
Embriagada do que antes ela só lembrava vagamente ter sentido
Aquele calafrio e a certeza que ele ali estava
Exatamente no mesmo instante que ela
Só que em outra cidade, outro estado, outro bairro, outra casa
Mas ali estava.
On-line
Era como se ela depois de tanto tempo voltasse a ser criança e brincasse de se apaixonar
Já não sabia mais qual eram as regras
Mas quem disse que apaixonar-se exigia regras?
O SER agora admirado, entretanto, nem sequer desconfiava
Mas uma coisa mudara
Agora ela não sabia mais se queria a vida que levava
Se levava a vida que queria
Certeza somente uma:
Que desejava voltar
Que desejava amar
Que desejava
Voltar a amar
Novamente
Nova mente
Incrível sentir algo assim por alguém sem ao menos realmente conhecer
Todos diziam
Mas é exatamente assim que ela se sentia
Apaixonada
Por alguém que na verdade ela nunca viu pessoalmente
A não ser uma vez no cinema Estação de Ipanema
A paixão, surgiu através de interesses em comum
Interesses esses, algum tempo adormecidos por ela
Agora, porém, eles estavam completamente acordados
Exigindo sua atenção total
Sentimentos, desejos
Os seus e de mais ninguém...
Exigindo apenas o que dela era de direito
E que ela esquecera por um bom tempo
(que para ela parecera uma eternidade)
Agora, mesmo de longe ela sonha no dia que irão se (re)conhecer
E se apaixonar perdidamente
Ele por ela e ela mais ainda por ele

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